Bebendo ao luar
Ergo entre as flores um copo de vinho
e convido o luar
Acabo também por convidar
a minha sombra
Mas a lua não sabe beber
e a minha sombra não me consegue acompanhar
Companheiros de um instante
– a lua a minha sombra e eu – vamos brindar
à primavera.
Enquanto canto a lua vagueia
Enquanto danço a minha sombra desespera
Esqueçamos tudo enquanto estivermos a beber
Que cada um se afaste
quando o dia chegar
Na longínqua Via Láctea
mais cedo ou mais tarde
nos voltaremos a encontrar
—
Jorge Sousa Braga, in:
Jorge Sousa Braga (org.), O vinho e as rosas. Antologia de poemas sobre a embriaguez, Lisboa, 1955
